O uso do computador e da internet na escola pública

Roseli de Deus Lopes | Irene Karaguilla Ficheman | Alexandre Antonino Gonçalves Martinazzo | Ana Grasielle Dionisio Correa | Valkíria Venâncio | Ho Tsung Yin | Leandro Coletto Biazon

(Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo)

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Resultados e discussões

Os dados a seguir representam uma parcela mais significativa dos resultados desta pesquisa e estão agrupados por grandes blocos: perfil do entrevistado, perfil da escola, infraestrutura disponível e manutenção, uso dos computadores e da internet, materiais digitais e formação de professores e educação inclusiva.

Perfil do entrevistado

Com relação ao perfil dos entrevistados, a maior parte tem formação em Pedagogia (46%). O Gráfico 1 mostra que a presença dos cursos na área de Ciências Humanas é bastante forte (72%).

Gráfico 1. Formação do entrevistado
Gráfico 1. Formação do entrevistado

 

Aproximadamente 70% dos entrevistados dizem estar pouco ou nada preparados para uso de tecnologias na educação (Gráfico 2).

Gráfico 2. Preparação para uso das TICs na graduação
Gráfico 2. Preparação para uso das TICs na graduação

 

Perfil da escola

Com relação ao perfil da escola, a maioria das escolas (57%) funciona durante três turnos, e uma parcela significativa (38%) funciona por dois turnos (Gráfico 3).

Gráfico 3. Distribuição dos turnos
Gráfico 3. Distribuição dos turnos

 

A média de alunos nas escolas entrevistadas é de 988 e a média de professores é de 47. Olhando separadamente os níveis de ensino (Gráfico 4), verifica-se que as escolas do Ensino Médio têm mais alunos (1.475) e professores (69).

Gráfico 4. Número de alunos e professores por nível de ensino
Gráfico 4. Número de alunos e professores por nível de ensino

 

Há diferenças regionais, já que as escolas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste têm uma menor média de alunos (914) e professores (35), embora a proporção de alunos por professor nessas escolas seja maior (Gráfico 5). A média de alunos por professor nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste é de 26, enquanto no Sul e Sudeste essa média cai para 19 e, em São Paulo, a média é de 21 alunos por professor.

Gráfico 5. Número de alunos e professores por região
Gráfico 5. Número de alunos e professores por região

 

Infraestrutura disponível e manutenção

Com relação à infraestrutura disponível, observou-se que a maioria das escolas (99%) possui computadores funcionando (Gráfico 6). Em 83% das escolas há internet banda larga. 99% das escolas possuem pelo menos uma impressora.

Gráfico 6. Número de computadores na escola
Gráfico 6. Número de computadores na escola

 

O Gráfico 7 mostra que há laboratórios de informática em 73% das escolas usados, em média, com dois alunos por computador. No entanto, chama a atenção o número de escolas (18% do total) com laboratório de informática que não trabalham com alunos.

Gráfico 7. Escolas com laboratórios de informática
Gráfico 7. Escolas com laboratórios de informática

 

Em relação ao estado de funcionamento dos computadores, a média de computadores quebrados é proporcionalmente maior nas escolas pesquisadas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para cada 13 computadores no Norte, Nordeste e Centro-Oeste nota-se que há três computadores quebrados. Já, para cada 23 computadores no Sul e Sudeste, há quatro computadores quebrados. O Gráfico 8 mostra a proporção de computadores quebrados por região.

Gráfico 8. Proporção de computadores quebrados
Gráfico 8. Proporção de computadores quebrados

 

Em relação à manutenção dos equipamentos, em praticamente todas as escolas (97%) há manutenção nos computadores, embora a manutenção preventiva faça parte de 23% das escolas pesquisadas (Gráfico 9).

Gráfico 9. Manutenção dos computadores
Gráfico 9. Manutenção dos computadores

 

Uso dos computadores e da internet

Com relação ao uso dos computadores e da internet nas escolas, tem-se que a existência de Poie aparece em 28% das escolas e esta impacta sensivelmente na quantidade de professores que fazem uso pedagógico dos computadores, com ou sem alunos. O Gráfico 10 mostra que em 61% das escolas, os professores fazem uso pedagógico com aluno. Já se considerarmos apenas as escolas com a presença do Poie, o uso com alunos sobe para 85%.

Gráfico 10. Uso pedagógico das TICs com alunos
Gráfico 10. Uso pedagógico das TICs com alunos

 

O Gráfico 11 mostra que em 81% das escolas professores fazem uso pedagógico sem aluno. Já se considerarmos apenas as escolas com a presença do Poie, o uso pedagógico sem alunos sobe para 91%.

Gráfico 11. Uso pedagógico das TICs sem alunos
Gráfico 11. Uso pedagógico das TICs sem alunos

 

Já a atuação do Poie como agente formador dentro da escola é baixa: em apenas 9% das escolas pesquisadas, estes especialistas oferecem formação para seus colegas (Gráfico 12).

Gráfico 12. Atuação do Poie como formador
Gráfico 12. Atuação do Poie como formador

 

A maioria das escolas faz uso tanto administrativo quanto pedagógico dos computadores. As escolas com uso exclusivamente administrativo ainda são 8,5% do total, concentradas principalmente nas escolas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (Gráfico 13). Outro fator importante é que as escolas que fazem algum uso pedagógico têm, em média, mais computadores (20) do que aquelas cujo uso é apenas administrativo (13 computadores).

Gráfico 13. Aplicação das TICs
Gráfico 13. Aplicação das TICs

 

A pesquisa apurou quais são as categorias de usuários dos computadores e da internet nas escolas. Em 99% das escolas, funcionários administrativos e diretores utilizam o computador e internet. Já em 67% das escolas, professores utilizam computadores com os alunos e em 21% dos casos, os alunos utilizam os computadores sozinhos (Gráfico 14).

Gráfico 14. Usuários de computador e internet nas escolas
Gráfico 14. Usuários de computador e internet nas escolas

 

Os funcionários administrativos usam o computador 4,7 vezes por semana, enquanto professores usam 3,2 vezes por semana sozinhos e 2,6 vezes por semana com seus alunos (Gráfico 15). Neste último caso, a frequência de uso é menor por terem que rodiziar o único espaço da escola com máquinas suficientes para a classe: o laboratório de informática. Talvez a fre­quência de uso dos computadores aumente caso haja outros espaços em que a tecnologia esteja disponível ou caso haja laptops em número suficiente.

Gráfico 15. Frequência de uso dos computadores (por semana)
Gráfico 15. Frequência de uso dos computadores (por semana)

 

No laboratório de informática, os alunos costumam usar os computadores em duplas ou individualmente, mas 27% das escolas das capitais ainda não têm laboratório de informática (Gráfico 16).

Gráfico 16. Distribuição dos alunos no laboratório de informática
Gráfico 16. Distribuição dos alunos no laboratório de informática

 

Em 59% das escolas pesquisadas, todos ou quase todos os professores usam o computador no ambiente escolar (Gráfico 17).

Gráfico 17. Parcela de professores que usam os computadores
Gráfico 17. Parcela de professores que usam os computadores

 

Em 43% das escolas, segundo o entrevistado, a maioria dos professores leva em consideração o uso dos computadores ao planejar suas aulas (Gráfico 18). 

Gráfico 18. Parcela de professores que planejam aulas considerando o uso de computadores
Gráfico 18. Parcela de professores que planejam aulas considerando o uso de computadores

 

O uso dos computadores está incluso no Projeto Político Pedagógico (PPP), de 71% das escolas e 10% usam apenas para fins administrativos ou não possuem computador funcionando (Gráfico 19).

Gráfico 19. Uso dos computadores no Projeto Político Pedagógico
Gráfico 19. Uso dos computadores no Projeto Político Pedagógico

 

Os entrevistados foram questionados sobre a ocorrência de diversas atividades tanto administrativas quanto pedagógicas feitas na escola. Em função destas atividades, as escolas puderam ser divididas entre as que fazem uso exclusivamente administrativo (8,4%) e as que fazem algum uso pedagógico (90,3%).

São 93% das escolas que fazem uso administrativo para realizar cadastros de alunos e professores, embora o uso pedagógico seja apontado intensamente em 81% (preparar atividades para os alunos). Há diferença entre as regiões, pois há mais escolas das regiões Sul e Sudeste que fazem uso do computador.

Os programas de computador mais utilizados pelos professores, tanto sozinhos como com seus alunos são os menos complexos, por exemplo, os editores de textos e editores de apresentação (Gráfico 20). No entanto, observa-se incidência de uso de programas de computador mais complexos (como ambientes de programação e modelagem 3D).

Gráfico 20. Programas de computador mais utilizados
Gráfico 20. Programas de computador mais utilizados

Em todos os casos de uso com alunos, as atividades e aplicativos têm menor incidência que as mesmas atividades e aplicativos no uso de professores sem alunos. As atividades mais praticadas com e sem alunos estão especificadas na Tabela 4.

Tabela 4. Atividades com alunos e sem alunos(%)
Tabela 4. Atividades com alunos e sem alunos(%)

A pesquisa buscou apurar quais os principais problemas para o uso pedagógico dos computadores nas escolas. O Gráfico 21 mostra que os maiores problemas são o número insuficiente de computadores disponíveis (39%) e falta de Poies (44%).

Gráfico 21. Problemas de uso dos computadores
Gráfico 21. Problemas de uso dos computadores

Uma questão aberta sobre os principais problemas enfrentados no uso pedagógico de computadores mostrou que fatores de infraestrutura, como número reduzido de computadores e falta de um laboratório de informática, são vistos como o principal problema no uso pedagógico (Gráfico 22). A falta de formação dos professores é também bastante importante na visão dos entrevistados. Na maior parte desses casos (11%), os entrevistados acreditam que deveria haver um Poie. O percentual de escolas que não vê problemas para uso pedagógico em sua escola é relativamente reduzido (12%).

Gráfico 22. Questão aberta sobre os principais problemas de uso dos computadores
Gráfico 22. Questão aberta sobre os principais problemas de uso dos computadores

Aumento da motivação dos alunos (50%) e aumento da dinâmica das aulas (41%) foram os destaques entre as frases positivas sobre uso de computadores com alunos. Os entrevistados responderam o quanto concordavam ou não com as frases lidas. O Gráfico 23 aponta o resumo das respostas mais concordantes.

Gráfico 23. Aspectos positivos no uso dos computadores com alunos na escola
Gráfico 23. Aspectos positivos no uso dos computadores com alunos na escola

Além disso, a maior vantagem de uso das TICs na Educação, apontada pelos entrevistados, é a possibilidade de exploração dos temas e conteúdos (78%), seguido pelo aumento da motivação dos alunos e dinamização do andamento das aulas (67%). O Gráfico 24 mostra as vantagens do uso das TICs apontadas pelos entrevistados.

Gráfico 24. Vantagens da tecnologia na educação
Gráfico 24. Vantagens da tecnologia na educação

Materiais digitais e formação de professores

Com relação ao uso de materiais digitais, cerca de 40% das escolas pesquisadas afirmaram ter recebido algum material pedagógico eletrônico (ou verba para esse fim) de órgãos públicos ou privados.

A presença de materiais digitais é ligeiramente menor no Ensino Médio (34%) do que no Ensino Fundamental I (43%) e no Ensino Fundamental II (40%), embora os diferentes níveis tenham acesso a materiais digitais distintos (Gráfico 25).

Gráfico 25. Materiais digitais nas escolas
Gráfico 25. Materiais digitais nas escolas

Em relação à formação dos professores, em apenas 29% das escolas foram oferecidos cursos de formação em TICs para algum profissional (Gráfico 26).

Gráfico 26. Curso de formação em TICs
Gráfico 26. Curso de formação em TICs

A maioria destes cursos foi oferecida pelas Secretarias de Educação (85%), e em sua maioria (75%) tiveram como enfoque os professores em geral (Gráfico 27). No entanto, a avaliação em relação à qualidade destes cursos é baixa, apenas 38% consideram que prepararam bem ou muito bem para o uso de tecnologias na educação.

Gráfico 27. Público dos cursos d formação
Gráfico 27. Público dos cursos d formação

Educação inclusiva

Com o objetivo de verificar o uso das TICs de forma inclusiva foram criadas algumas perguntas para o levantamento inicial quanto à educação inclusiva nas escolas com TICs.

A pesquisa apurou que há casos de uso de computadores de forma inclusiva, porém é necessária uma pesquisa mais aprofundada sobre o tema. Como pode ser observado no Gráfico 28, cerca de 60% das escolas pesquisadas têm alunos com alguma deficiência e boa parte delas desenvolve projetos de inclusão (43% do total).

Gráfico 28. Desenvolvimento de projetos de inclusão
Gráfico 28. Desenvolvimento de projetos de inclusão

Em 31% das escolas, o uso de computadores faz parte dos projetos de inclusão, sendo que os alunos com deficiência costumam compartilhar os computadores com outras crianças (20%) ou usar junto ao professor (12%). O Gráfico 29 mostra a porcentagem de alunos com deficiência que usam TICs nas escolas.

Gráfico 29. Formas de uso dos computadores por pessoas com deficiência
Gráfico 29. Formas de uso dos computadores por pessoas com deficiência

Considerações finais

Estes resultados mostram que existe infraestrutura na maioria das escolas que possibilita fazer uso pedagógico dos computadores com alunos. No entanto, a preparação dos professores e gestores ainda é um problema.

Na seção a seguir são apresentados o mapeamento das escolas e seu nível de uso das TICs e os fatores que influenciam positivamente no uso dos computadores e da internet nas escolas.

Sumário

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=== PARTE 6 ====
=== PARTE 7 ====

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