Estudos e Pesquisas Educacionais

Os pais e a Educação

Nilson Vieira Oliveira | Patricia Mota Guedes
(Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial)

=== PARTE 1 ====
Introdução

Há um consenso dentro e fora do Brasil sobre a importância da participação dos pais na vida escolar dos filhos. Ao mesmo tempo, várias pesquisas amplamente difundidas no Brasil têm reportado que os pais de famílias pobres parecem dar pouca importância à qualidade da educação pública dos filhos.

Contudo, uma pesquisa de campo realizada em 2006 pelo Instituto Fernand Braudel com 1,1 mil famílias na periferia da Grande São Paulo revelou um segmento significativo de pais pobres que são críticos da qualidade do ensino público. Essa pesquisa (Democratização do consumo - A vida e as aspirações na periferia da Grande São Paulo, Braudel Papers, no 39), mostrou um descontentamento saudável com a qualidade do ensino das escolas dos filhos, sobretudo entre os chefes de família mais jovens e com maior média de escolaridade. Refletir melhor sobre este segmento pode oferecer uma perspectiva importante aos formuladores de políticas públicas em educação. Esses pais precisam ser percebidos como potenciais formadores de opinião e parceiros nos esforços das autoridades, dos diretores escolares e dos professores para a melhoria do ensino público.

Para definir melhor essa percepção, o Instituto Fernand Braudel, em parceria com a Fundação Victor Civita (FVC), realizou, em 2007, uma pesquisa de campo junto a 840 pais com filhos matriculados em escolas públicas na cidade de São Paulo, da primeira série do Ensino Fundamental ao último ano do Ensino Médio.

Em entrevistas domiciliares de cerca de 90 minutos de duração, realizadas entre abril e outubro, a pesquisa buscou investigar em mais detalhes:

1. as percepções e expectativas dos pais sobre a qualidade da educação de seus filhos e da rede pública em geral;
2. os diferentes níveis e formas de envolvimento na vida escolar dos filhos;
3. suas opiniões e recomendações a respeito de políticas em educação, incluindo temas como progressão continuada, gasto público, avaliação e remuneração diferenciada por desempenho.

Os resultados apurados mostram o quanto políticos, educadores e lideranças da sociedade civil precisam desenvolver estratégias mais criativas de reconhecimento da diversidade dos pais e responsáveis, sobre suas formas de percepção crítica da baixa qualidade do ensino e, sobretudo, sobre o importante potencial de mobilização dos mais críticos e interessados entre eles como parceiros nos esforços de melhoria da escola pública.

Os dados e depoimentos aqui apresentados são uma parte dos resultados que ilustram o quanto esse potencial pode e deve ser melhor explorado.

Revelando uma percepção apurada sobre o que faz uma boa escola (aquelas que possuem professores que sabem ensinar) e o que vem a ser um bom professor (os que explicam de uma forma que todos aprendam), os pais entrevistados ressaltaram atributos simples, mas valiosos, de um sistema educacional (Tabela 1).

 

Tabela 1. Atributos de uma boa escola
Tabela 1. Atributos de uma boa escola

Um dado que confirma as elevadas expectativas dos pais em relação à educação dos filhos foi a proporção dos que acreditam que os estudantes concluirão o ensino superior (64%). Uma parcela menor (13%) acredita que seus filhos concluirão uma pós-graduação. O número se mostra significativo pelo fato de a escolaridade média dos entrevistados ser de apenas 7,3 anos.

Sumário

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=== PARTE 3 ====
=== PARTE 4 ====
=== PARTE 5 ====
=== PARTE 6 ====
=== PARTE 7 ====
=== PARTE 8 ====
=== PARTE 9 ====
=== PARTE 10 ====
=== PARTE 11 ====
=== PARTE 12 ====

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